Grandes projetos de engenharia que objetivam o desenvolvimento de uma região podem ser compatíveis com o meio ambiente. Prova disso é o transplante bem sucedido, há dois anos, de duas samaumeiras que foram salvas pelo Governo do Pará, em uma ação inédita no estado para árvores desse porte.

As árvores adultas estavam no canteiro central da rodovia BR-316 há quase duas décadas. Com autorização legal dos órgãos ambientais para serem retiradas já que viviam na faixa de domínio da obra do BRT Metropolitano, em construção, a medida adotada teve como objetivo assegurar a preservação da espécie que faz parte da arborização da região, também protegida por Lei do Município de Belém (nº 7.709/1994), por integrar o patrimônio histórico e ambiental da cidade. 

Agora, as samaumeiras crescem saudáveis e frondosas na área de uma das pétalas do viaduto do Coqueiro, na altura do KM 5 da BR-316, sentido Belém – Ananindeua, chamando a atenção de quem passa pela rodovia.

“Sem dúvida foi uma excelente iniciativa. Passo todos os dias na BR e confesso que cheguei a pensar que não daria certo. Que bom que me enganei. Tomara que sirva de exemplo para outros grandes projetos na nossa região”, comentou Luiz Barros, contador e morador em Ananindeua. “Estava na torcida para que elas [árvores] não morressem. Eu nunca tinha visto isso acontecer. Graças a Deus que deu certo. A natureza é linda e merece ser preservada”, disse ainda Marília dos Santos, autônoma, moradora em Belém.

De acordo com o diretor geral do NGTM, engenheiro Eduardo Ribeiro, a ação reuniu esforços a fim de demonstrar a preocupação do Governo do Estado na preservação do meio ambiente aliado à execução de grandes projetos que vão proporcionar melhorias na qualidade de vida das pessoas, como é o caso da requalificação da rodovia e implantação do BRT Metropolitano. “Temos a execução do projeto de requalificação na principal via da Região Metropolitana e a manutenção de uma espécie que é um dos símbolos da Amazônia para a contemplação das próximas gerações”, afirma.

A ação foi acompanhada pelo Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará (Ideflor-bio). Para a engenheira agrônoma do Instituto, Laura Dias, a medida adotada pelo Governo é importante por “preservar a samaumeira, espécie referência da região e de grande relevância para o Bioma Amazônico, conhecida por sua exuberância como a árvore ‘rainha da floresta’. “É demonstrar respeito e responsabilidade ambiental, além de contribuir para a manutenção do patrimônio histórico florestal, possibilitando às gerações futuras o privilégio de apreciar e se deliciar do conforto e da beleza ambiental oferecido pela espécie”, afirma.

Na época, a ação de replantio mobilizou várias equipes de especialistas para proteger os vegetais que precisaram ser podados e transportados em segurança. A árvore maior possui em torno de 25 anos, tem 10 metros de altura (sem folhagem) e pesa cerca de 15 toneladas. Já a menor, tem em torno de 12 anos, atinge altura de 7 metros (sem folhagem) e pesa cerca de 5 toneladas. 

Outras três samaumeiras, duas delas localizadas na rodovia próximo ao viaduto do Coqueiro, e uma na área onde está sendo construído o prédio do Centro de Controle Operacional (CCO) – no complexo do Comando Geral da Polícia Militar, na Augusto Montenegro, em Belém – também foram integralmente preservadas devido a uma readequação no projeto que prevê ainda novo paisagismo para os primeiros 10.8 km. Esse é um critério contratual das obras que também é monitorado pela Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA), financiadora de 78% do projeto.

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