Espaços amplos, confortáveis, seguros, com passarelas, elevadores, estacionamento, lanchonete, bilheteria, além de abrigar uma unidade da Estação Cidadania que ofertará diversos serviços a população. Essa é a estrutura que os dois terminais de integração do BRT Metropolitano vão proporcionar a cerca de 370 mil usuários de transporte público da região metropolitana, diariamente, quando em operação. 
 
 
Os terminais de passageiros fazem parte do projeto do BRT Metropolitano, que inclui a requalificação de toda a estrutura da BR-316 ao longo dos primeiros 11 quilômetros gerenciados pelo Estado do Pará. As obras nesses espaços ocorrem de forma simultânea a outras frentes de trabalho do projeto, executadas pelo Núcleo de Gerenciamento de Transporte Metropolitano (NGTM). 
 
Nesses terminais, os chamados “ônibus alimentadores”, que buscarão os passageiros nos bairros dos municípios que compõem a primeira etapa do BRT Metropolitano, vão deixá-los nos terminais de integração para pegar os “ônibus troncais”, com destino ao centro da capital e vice versa. O objetivo é tornar as viagens mais rápidas e “desinchar” a malha viária com a redução do número de coletivos nos corredores da BR-316, avenida Almirante Barroso e centro de Belém. 
 
Terminais
Localizado no quilômetro 7 da rodovia, o Terminal de Integração de Ananindeua será o maior deles. O espaço possui quatro plataformas (blocos), sendo uma destinada ao prédio administrativo onde funcionará também a bilheteria, lanchonete, bicicletário e Estação Cidadania; a segunda e a terceira plataformas para atender aos ônibus alimentadores, e a quarta estrutura para receber os ônibus troncais, que levarão os passageiros até São Brás ou até o centro da capital. 
 
Este terminal receberá ônibus diretamente dos bairros da cidade de Ananindeua sem que eles precisem transitar pela BR-316, por meio de um viaduto que o interligará a Avenida Ananin Guajará – Cidade Nova e demais bairros. As obras do viaduto e da avenida Ananin fazem parte de mais uma frente de trabalho em execução pelo NGTM.   
 
 
Já o Terminal de Integração de Marituba fica no km 10 da BR-316 e possui três plataformas, sendo uma do prédio administrativo, com a Estação Cidadania; outra para circulação dos ônibus alimentadores, que trarão passageiros de Marituba e também do município de Benevides e a terceira para a circulação dos ônibus troncais, que seguirão para Belém.    
 
Em ambos os terminais, as plataformas são ligadas por passarelas, com paredes de vidro, piso de concreto e já estão instaladas. Em todos os blocos há banheiros, rampas e elevadores para atender pessoas com necessidades especiais. 
 
As obras já estão em fase de acabamento nos terminais, faltando a construção do sistema viário interno dos terminais, cujo piso será o mesmo utilizado nas pistas do BRT, pois são mais resistentes e têm maior durabilidade -, e conclusão das instalações elétricas e hidráulicas. 
 
Os ônibus vão circular nas pistas de concreto do canteiro central do BRT e, para entrar e sair dos terminais sem interromper o trânsito nas pistas da BR-316, estão sendo construídos quatro túneis exclusivos do BRT, chamados “Passagens Inferiores” (PI) – nome técnico da construção, sendo duas em cada terminal. 
 
Da mesma forma que o funcionamento dos túneis, toda a escavação deles não interferiu a rotina dos usuários da rodovia, a partir de uma metodologia de engenharia adotada de forma inédita na região que busca minimizar os transtornos.   
 
Drenagem
 
 
O projeto do BRT Metropolitano tem um diferencial que trará benefícios para além da revitalização de sua estrutura: o sistema de drenagem. Toda a rodovia receberá uma nova rede de drenagem profunda para evitar alagamentos na pista, proporcionando maior segurança e durabilidade da obra.
 
Os terminais de integração também recebem obras de drenagem. No subsolo, está sendo colocada uma tubulação interligada, que transportará as águas pluviais de parte da BR, túneis e terminais até o seu lançamento, passando antes por uma filtragem. 
 
Devido as profundidades da rede de drenagem em implantação, esta atividade se torna um processo complexo. “Primeiro são cravadas as estacas de contenção do terreno, devido às grandes profundidades da escavação. Depois das estacas cravadas, se faz a escavação entre as duas linhas de estaca. Quando atingimos a cota de fundo da vala, se faz a camada de areia para assentamento do tubo. Após o tubo assentado, se reaterra a vala, por camadas”, explica o engenheiro Eduardo Ribeiro, diretor geral do NGTM. 
 
As escavações na área dos terminais chegam a mais de 6 metros de profundidade. “Esta parte da obra não será vista quando concluída, porém, é de fundamental importância para evitar alagamentos nos terminais e PIs”, afirma ainda o diretor.  
 
Mobilidade
 
O arquiteto e urbanista Paulo Ribeiro explica que a estrutura que está sendo construída atende ao propósito do sistema de transporte, que vai trazer melhorias e qualidade de vida aos passageiros.
 
“Atualmente, praticamente 90% dos veículos (carros) que ocupam espaço na avenida Almirante Barroso transportam apenas 26% das pessoas, enquanto que 11 % (ônibus) transportam 76%. A primeira coisa a fazer é criar um espaço exclusivo para o ônibus, que transporta 76% da população e hoje disputa espaço com os carros, ficando prejudicado, por não ter espaço para passar, fazendo com que esse tempo de viagem aumente”, detalha o especialista em mobilidade urbana. 
 
Outro fator que contribui para o aumento do tempo de viagem é o congestionamento causado pela grande quantidade de veículos no mesmo horário, nos corredores principais da capital. “Nem todo mundo vai até o centro, mas como as linhas hoje não são integradas, em cada linha dessa tem gente querendo ir para o centro. Isso faz com que todas as linhas sigam para o centro, o que faz com que tenha uma quantidade enorme de ônibus”, explica. 
 
Pesquisas indicam que hoje um usuário do transporte coletivo pode passar até 5 horas dentro de um ônibus. O sistema integrado é o ideal para solucionar estes problemas de mobilidade. Duas empresas serão escolhidas por meio de licitação para prestarem serviços para Ananindeua e para Marituba e Benevides. 
 
“Em Ananindeua serão 10 linhas alimentadoras que vão para o terminal, e desse terminal vamos ter 3 linhas troncais, sendo duas que vão ao centro, uma pela José Malcher até o Ver-o-Peso e volta pela av. Gentil; outra que vai pela av. Conselheiro até a Praça da Bandeira e volta pela Mundurucus, fazendo paradas apenas no Entroncamento e em São Brás. E uma que vem até São Brás, fazendo paradas em todas as Estações”, adianta Paulo Ribeiro. O Terminal de Marituba terá 12 linhas alimentadoras para atender também a população de Benevides e as três linhas troncais terão o mesmo itinerário das de Ananindeua. 
 
Os bilhetes serão únicos, ou seja, o passageiro pagará somente uma passagem quando ele pegar o ônibus para o terminal no seu bairro. A integração será temporal, física nos terminais e os bilhetes terão tempo para fazer a integração.
 
O BRT metropolitano é um projeto grandioso, complexo, que vai mudar para melhor a mobilidade da região metropolitana de Belém. Para que seja entregue no prazo, o NGTM conta com várias frentes de trabalho, mais de 900 funcionários trabalham em vários turnos, inclusive noturno, para o avanço das obras, previstas para serem entregues em 2023.

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